COMO INICIAR NO DX

 

     DX Por: CT1ELP

Iniciando-se no DX

Alguns conselhos práticos para os amadores que não estão ainda acostumados com a operação em onda curta, ou com a “caça às figurinhas”.

Muitos amadores quando se iniciaram nestas lides começaram nas bandas de VHF e UHF. Os motivos são bastante compreensíveis, os equipamentos têm preços mais acessíveis do que os de HF (que estão caríssimos hoje em dia!), as antenas são de menor dimensão o que facilita a instalação, a portabilidade e normalmente a sua construção não é muito difícil. Também a existência de repetidores atrai bastante os novos amadores, pois com pequenos rádios portáteis podem estabelecer-se contactos a distâncias que cobrem quase todo o país. Tudo isto leva consequentemente a que só mais tarde se dediquem à onda curta e ao DX. Depois de ouvirem os outros colegas falarem sobre os contactos que se fazem a longa distância e sobre os imensos países e regiões do mundo com que se contacta, começa a surgir o interesse pela actividade em HF e nomeadamente pelos contactos DX. Apesar de tudo, o recém chegado à onda curta muitas vezes não se sente muito “à vontade”. Tem a sensação de que o modo de operar é diferente e até acaba por ser, mas pouco. Embora se possa falar várias vezes com a mesma estação e até se proporcionarem QSOs longos e que se repetem várias vezes, noutras ocasiões é necessário ser-se rápido e eficiente nomeadamente quando se quer contactar uma figurinha. O contacto em HF, na maioria das vezes resume-se à troca do controlo e pouco mais (descrição dos equipamentos usados, condições climatéricas…).

A caça às figurinhas

Chamamos figurinhas às estações DX (atenção que embora DX signifique QSO a longa distância e por exemplo, um contacto de Portugal para a Inglaterra seja um QSO a longa distância , entende-se por DX os contactos intercontinentais), ou estações de países raramente escutados e por isso difíceis de contactar.

Como se detecta uma figurinha

É simples, basta escutar com atenção, embora possamos ter a sorte de ser os primeiros a ouvir, normalmente já outros o fizeram e estão a tentar contactar. Quando aparece uma figurinha logo se juntam centenas de estações chamando para tentar fazer o DX, é fácil então encontrar-se uma figurinha pois onde ela está , está também um “monte” de estações a chamar ao mesmo tempo e numa grande confusão, isto é o que se chama um pile-up.

Como “quebrar” o pile-up

Para conseguirmos fazer o contacto é necessário que a estação nos ouça no meio de tanta outras. Obviamente quando esta está a trocar o “report” com alguma, todas as outras esperam que termine e logo a seguir vem de novo a confusão seguida de outra paragem pois alguma foi ouvida e faz o contacto e assim sucessivamente. Deve-se então tentar antecipar um pouco à confusão. Escute cada QSO e logo após o câmbio final da estação que está a fazer o contacto DX tente dizer o seu indicativo de modo rápido mas explícito, para que seja escutado durante o curto intervalo de tempo antes da figurinha chamar geral outra vez. É claro que mesmo assim muitas vezes você acaba por ser apanhado pela confusão do pile-up de modo que é necessária muita paciência e persistência até se conseguir (claro que se você tiver 2KW e/ou uma direcional com 5 ou 7 elementos tem obviamente mais hipóteses de ser escutado mais rapidamente pois terá um sinal mais forte !). Atenção ! Não adquira o mau hábito de dizer só as últimas letras do seu indicativo. É frequente escutarem-se estações a faze-lo, mas isso é má operação. Primeiro porque o seu indicativo não são só as duas últimas letras e como tal está a identificar-se incorrectamente, além disso, supondo que a propagação está favorável entre si e a estação que quer contactar, não terá muita lógica para o DX escutar só duas letras quando podia perceber logo todo o indicativo, escusando de perder mais tempo a perguntar o indicativo completo no câmbio seguinte. Esta técnica das duas últimas letras é usada em Dxnets (que já vamos saber o que é) e s&o acute; aí deve ser usada quando é pedido, não é muito correcto transportar este tipo de operação para outras situações. Quando conseguir que a estação o ouça , seja breve no contacto dando o controlo à estação DX e confirmando o controlo recebido, lembre-se que há muita gente ainda à espera e como tal o contacto resumir-se-á à troca do controlo (ou também chamado vulgarmente report).

Quando escuta uma estação DX, deve tomar atenção para saber se esta está a escutar na mesma frequência em que transmite, ou não. Há muitos anos, um famoso DXer que fazia expedições de vários sítios raros (DXpeditions), para evitar que na confusão dos pile-ups a estação DX não fosse sobremodulada (mesmo sem querer) por estações que a estavam a chamar, desenvolveu uma técnica inovadora para resolver o problema. Devido ao sinal ser fraco e ao QRM, os amadores podiam não se aperceber que a estação DX já estava a responder a alguém e assim era maior a confusão e faziam-se menos QSOs, dando menos oportunidade a que mais amadores contactassem aquela estação DX. Foi então que este homem desenvolveu a técnica de operação em SPLIT ! Ele emitia numa dada frequência e escutava 7 kHz acima (teve até a alcunha do seven up).Desde então que nas grandes expedições é frequente usar-se esta técnica. Portanto , quando escutar uma estação DX, tome atenção para saber se ela diz que escuta acima ( listennig up). O normal em fonia são 5kHz ou até mesmo escutar num intervalo acima, por exemplo entre 5 e 10 kHz acima (em telegrafia a diferença pode ser só 1kHz acima devido à largura de banda na transmissão ser menor). Deste modo se estiver uma estação em 14.195MHz a escutar 5kHz acima, deve então emitir em 14.200MHz para que ela o escute. Se for num intervalo entre 5kHz e 10kHz (o operador dirá listennig 5 to 10 up, ou listenning 200, 205) está a escutar entre 14.200 e 14.205MHz, portanto deve emitir numa frequência qualquer nesse intervalo e esperar que lhe respondam.

Os DX-NETs

Um DX-NET é uma forma de se criarem pile-ups organizados, isto é, existe um amador (normalmente o “dono” ou “criador” do net) que dirige o DX-NET e por conseguinte é chamado o net controller. Muitas vezes o net controller é auxiliado por mais um ou dois amadores. O net controller faz uma chamada geral só para estações DX para entrarem no net e vai elaborando uma lista das que vão aparecendo. No final , após não haver mais estações DX para entrar ele vai fazer uma chamada geral para estações que queiram contactar os DXs (normalmente pede apenas as 2 últimas letras do indicativo). Após ter um número considerável de estações na lista ele pede para pararem de responder à chamada e chama cada estação para saber os indicativos completos de todos, caso ainda não saiba.

Seguidamente diz quais as estações DX disponíveis no net para que todos saibam e depois chama pela ordem da lista cada um para que tenha oportunidade de chamar a estação DX que lhe interessa. No contacto , para que este seja válido, o net controller tem que ter a certeza de que compreenderam correctamente o report que um deu ao outro. Deste modo, deve-se agradecer o controlo dado e repeti-lo para que o net controller ouça e saiba que o contacto foi feito com sucesso.

Os DX-NETs tem horas e frequências habituais. Existem muitos e em todas as bandas de HF. Se, por exemplo, você entrar num net americano, não se esqueça que aí você é que é o DX pois está num continente diferente, logo responda quando o net controller estiver a chamar DX. Isto até é vantajoso, pois não pense que vai simplesmente ficar à espera que outros o chamem para o contactarem, os net controllers dão sempre oportunidade às estações DX de chamarem outras estações DX e muitas das vezes isso é feito antes de correrem a lista das estações que estão à espera para chamar.

Os DX-NETs são bastante aconselháveis principalmente para estações que não têm grandes antenas ou pouca potência e que por esse motivo têm mais dificuldade em “quebrar” os pile-ups.

NETs “ocasionais”

Os nets têm frequências certas onde aparecem sempre a determinadas horas e dias. No entanto existem o que se pode chamar nets “ocasionais” que não é mais do que a organização de um pile-up com uma lista. Suponhamos que há um pile-up enorme para uma estação DX e que está de tal modo cheio que é difícil que se “despachem” muitas estações. Acontece por vezes que uma estação elabora uma lista que depois corre para contactarem uma determinada estação DX. Isto tem a vantagem de que pode estar uma estação numa frequência a tomar nota da lista e outra (que já tenha elaborado outra antes) a correr uma lista na frequência onde está a estação DX. Quando termina, sai e vai fazer outra lista noutra frequência deixando a que estava a elaborar a lista antes, ir agora corrê-la na frequência onde está o DX. Estes nets “ocasionais” não são mais do que apenas listas organizadas para evitar a confusão dos pile-ups.

Alguns pontos a ter em atenção

Existem algumas coisas importantes a ter em conta. Deve ter sempre à mão uma lista actualizada dos prefixos e respectivos países para que possa identificar de onde são as estações que escuta. O uso de auscultadores é também fortemente aconselhado pois abstraímo-nos mais dos ruídos exteriores e normalmente os auscultadores são mais sensíveis que os altifalantes possibilitando uma melhor compreensibilidade das estações que se escutam ao nível de ruído.

Para ter sucesso no DX e principalmente para quem não tem muito tempo disponível para estar no rádio é necessário estar bem informado. Procure ter acesso ao maior número de fontes de informação sobre DX, os boletins de DX editados pelas Associações de amadores, falar com os próprios amadores que estão mais activos em onda curta e trocar informações com eles, consultar as BBS em Packet ou mesmo através da Internet (caso tenha acesso a esta) e finalmente ligar-se a um Packet Cluster onde poderá receber informações de DX em tempo real.

73 e Bons DX de CT1ELP Pedro

[Documento retirado do Arquivo Histórico do Rádio Amador Português e cedido pelo Grupo Português de DX]


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